A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, gerou críticas de diferentes setores da economia. Embora o corte tenha sido considerado um passo na direção correta, diversas entidades avaliam que a medida foi tímida e insuficiente para enfrentar os desafios econômicos atuais, como a desaceleração da atividade e o alto custo do crédito. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destaca que a redução não é capaz de estimular investimentos, nem aliviar o endividamento das famílias. Segundo a entidade, apesar da desaceleração da inflação e de projeções dentro da meta, a taxa de juros real ainda permanece elevada, indicando que a política monetária continua restritiva e prejudicial ao crescimento econômico.
INSUFICIENTE
No setor de comércio, a Fecomércio-SP aponta que o início do ciclo de queda ocorre em meio a incertezas internas e externas, o que limita cortes mais agressivos. A inflação de serviços e o cenário internacional, especialmente a alta do petróleo causada por tensões geopolíticas, são fatores que dificultam uma redução mais acelerada dos juros. Já a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avalia que o Banco Central adotou uma postura prudente diante desses riscos. Por outro lado, entidades sindicais criticam a intensidade do corte, afirmando que ele não é suficiente para aliviar o peso das dívidas, estimular o consumo ou gerar empregos. Há consenso entre indústria, comércio e trabalhadores de que o ritmo das próximas reduções será decisivo, sendo necessária uma queda mais significativa dos juros para impulsionar o crescimento econômico no país.
CURTA
POSITIVO - O comércio paulistano registrou melhora no nível de estoques em março, com o índice atingindo 112,5 pontos, alta de 1,9% em relação a fevereiro e o maior patamar desde agosto do ano anterior. Segundo a FecomercioSP, também houve avanço de 5,4% no indicador de adequação dos estoques, sinalizando uma percepção mais positiva entre os empresários do varejo.